
Luís Soares, filho de colonos portugueses, nasceu em Moçambique (África), um viajante incansável entre a África e a Europa. Estabeleceu a sua actual residência entre Espanha e Portugal onde desenvolve o seu trabalho.
A sua produção é multifacetada e frutuosa visto que inclui: escultura, pintura, cerâmica, azulejos decorados, vidro, gravura, trabalho gráfico, tapis e joalharia.
Soares viveu em Moçambique, sudeste da África. Como africano esteve em contacto com culturas autóctones, cujas máscaras e danças inspiraram o sentido do movimento, linhas onduladas e cores numa construção fechada em círculos concêntricos que transmitem as experiências dos povos indígenas. As tradicionais máscaras e pinturas faciais dos Makondes, bem como os ornamentos do corpo dos primitivos habitantes dos bosquímanos, que também desenhavam nas paredes cenas de caça, guerra e dança, aliadas a tradições que persistiram oralmente por muito tempo, permitiram que o O artista cria uma expressão original e estilizada onde os componentes tradicionais se misturam com os modernos.
As imagens produzidas por Soares apresentam o rosto de perfil e o olho à frente, técnica semelhante à usada em figuras orientais da antiguidade, Ásia ou Egito. Da mesma forma, a representação geometrizada modificando as proporções naturais nos lembra as obras cubistas de George Braque e Pablo Picasso.
Suas figuras arredondadas combinadas em círculos opostos são feitas com linhas finas que se cruzam com movimentos rápidos e sinuosos, prevalecendo olhos abertos que olham para o indefinido. Esse padrão é comum na obra de Soares. Já na escultura, sobressaem os volumes quebrados das silhuetas de bronze, que lembram as pequenas esculturas em massa da África Oriental.
A estilização de seus desenhos lembra a simbiose da arte primitiva africana com a pintura europeia contemporânea, unidade que também ocorre na arte contemporânea latino-americana, na mistura de elementos indígenas e modernos, como nas pinturas de Joaquín Torres García, Alejandro Puente, Cesar Paternosto ou Teresa Pereda ou o Afro-americano nas pinturas de Cándido Portinari ou Pedro Fígari.
As cores intensas de suas produções são um reflexo da cultura e das experiências dos povos africanos. Cultura em que movimento e cor se entrelaçam com traços simbólicos que representam ideias ancestrais ou mitos revelados na iconografia africana.
Ritmo, movimento e cor são as regras gerais das obras de Soares.
Alicia Estela Beltramini Zubiri
Membro ativo: International Association of Art Critics
College Art Association Associação de Arte Latino-americana

