CASCAIS / PORTUGAL - SEGURILLA / ESPAÑA

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Like Fish in Water

PIN19900209 - Diálogo - Acrílico - 130x100 cm

 

Luís Soares é um moçambicano de trinta e oito anos, ruivo como Van Gogh, lúcido como Séneca, prolífico como Picasso e desembaraçado como Leonardo que, transplantado para Cascais, sonha com a sua pátria do sudeste de África e com as urbes babilónicas da arte, para onde viaja de vez em quando. Mas, de momento, não é a sua biografia que nos interessa, mas sim o que faz, o que está aqui, à vista de todos. Quando o conhecemos a sua versatilidade artística deixa de nos admirar. Em matéria de artes plásticas não há nada que não saiba fazer, embora esta opinião nos faça pensar num trabalho artesanal, para o qual tem capacidade mas transcendendo-o, como bom artista que é. Das três funções de estrutura da arte, fazer – expressar – simbolizar, Soares exerce a primeira admiravelmente. Afinal de contas, vive numa época em que o gestualismo, o concretismo e o happening têm feito compreender que a verdade que alumia a arte é o facto de a fazer. É por isso que se entrega aos seus desenhos, pinturas, esculturas e cerâmicas, como se todos fossem a mesma coisa – como o são realmente – mas com um conhecimento do unívoco e singular de cada linguagem. Assim como traça linhas, tão enérgicas que se transformam em incisões ou relevos, e tão suaves como uma teoria musical e rítmica, fazendo deslizar o braço, a mão, com rapidez, com gestos hábeis, sem fazer da sua arte uma action painting. Naquilo a que os escolásticos chamavam abundantia cordis e numa vivíssima sensibilidade é que Luís Soares molha os seus pincéis. As superfícies balizadas pelas linhas simbolizam, por causa da sua grande tendência pelas formas arredondadas, um universo predominantemente feminino: na cerâmica, devido aos seus volumes de geratriz esférica ou cilíndrica; nas estruturas planas, porquanto as suas figuras esquematizadas: circunferências e círculos secantes e excêntricos, rostos com grandes olhos.

Luís Soares' work often shows a certain primitivism that, personally, I am far from recognising; what he shows is not a wild spontaneity but a fluid expression of his vital extrovert attitude, which has not prevented the sedimentation of cultural reflections of different natures.

Perante o “simulacro” da realidade ou da abstracção, Soares sem abstrusas investigações, sem fingimentos nem retóricas, sem angústia nem sofrimento, incorpora-se no impetuoso discurso da arte actual transformando em sinais aquilo a que poderíamos chamar “pensamentos plásticos”, compondo assim as suas obras com aquele lirismo automático que o caracteriza.

There is, in all Soares' manifestations, a Venus cult, a human and oceanic dimension inhabited by feminine creatures, a world of enamoured figures, a dawn of maternities and nymphs; an enclosure without atmosphere, an underwater space. It is not by chance that his most frequent emblematic symbol is the spiked fish, of an archaic species that only exists in Soares' nostalgic aquarium. The quick execution of his works leads him to use all kind of materials. He chooses, preferably, techniques whose execution is quick - oils, watercolours, tempera - with supports that dispense any preparation: handmade papers, for instance, although he does not disdain any other experience. This behaviour is also found in sculpture, where the more abundant presence of matter makes the spiritualisation of language even more difficult. Here he behaves in a more primitive and paradoxical way. He models with abrasives or sharp instruments - and his characteristic quickness - a block of rigid polyurethane foam which is then moulded in bronze. The result is a strange mixture of the rough and the refined in an anthropomorphic and totemic figure.

In ceramics, where he also makes plates or containers, as well as painting panels on tiles, his work has not been only formal or superficial; he has investigated components, formulas and techniques until obtaining some characteristic products whose only fault could be the risk of his own mannerism.
O que expressa com esta ou aquela linguagem, com uma ou outra técnica, é o diálogo com as forças elementares, o que não quer dizer que seja primário e muito menos ingénuo. Creio que este é o significado do que ele faz. O motivo porque o faz saberá o espectador descobri-lo ao contemplar a sua obra, visto que a obra de arte, como exige Milton C. Nham, é um acontecimento que une o artista e o observador num mesmo acto criativo.

EDUARDO MARCO SAMPER
(International Association of Art Critics)

Eduardo Marco Samper

From the International Association of Art Critics and Exhibition Commissioner.

CER00179 - Prato
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