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Ribeiro - Canotilho

EU VI, EU SENTI, EU OUVI, EU SEI

 

EU, vi, eu vi, eu vi, Atéééééééééé

Sonhos deslumbrantes, galáxias,

Serpentinas e estrelas,

Fulvos olhares pró-ladinos

E a constante, detestável

Da vergasta desgovernamental.

 

Eu senti, eu senti, eu senti,

Baladas, chorinhos e mornas,

Boleros e sambas trepidantes,

Viável consolação, embora

E mantida … ressustentada

À ausência de decoro político …

 

Eu ouvi, eu ouvi, eu ouvi,

O destemor enraivecido

Deste ululante cântico geral,

Reeditado do fundo da picada

E aglutinação irreceptível

Sacrificando duro trabalho honesto.

 

Eu sei, eu sei, eu sei,

Das constantes exclamações,

Que não fenótipos reais,

Hão-de prevalecer autênticas,

Mundificadas em planos descomunais,

Para que lícitos espirituais tenhamos!

 

E num cibinho* abreviando a vida,

Então, que surpreendente e tenaz,

Ela, por si, rocambolesca ou suave,

Sem entrementes, com valias vistas

– Noutros casos – das mais dígnas

E confortáveis, há-de assim sublimar-se…

 

Mas afinal, que ela p´ lo menos

Nos redima, ainda, que na queda

D´ hirtos penhascos, ousando a lotes,

Mesmo lestos e jamais claudicando,

Assim, nos sobejemos mais um pouco

Nesta jangada, da ínvia, agreste,

 

AFINAL! INEVITÁVEL SULIPANTA.

 

Glossário:

  • Fenótipo = Aparência.
  • Cibinho = Bocadinho (regionalismo usado na Beira-Alta, Portugal).
  • Sulipanta = Expiração (morte)..
  • .

Ribeiro-Canotilho, 1981.

 

 

BIOGRAFIA   BREVE

Estudou Artes-Plásticas (Pintura e Escultura), em Moçambique, África do Sul e Portugal.

Pintor d´Arte, desenhista, ceramista, restaurador d´arte e mobiliário, escultor, mosaísta,

marceneiro-entalhador e percussionista, poeta e declamador.

Fez 26 exposições individuais de pintura, desenho, colagens, serigrafias e litografias e mais de 100 coletivas.

Elaborou grandes painéis de azulejos, cenários, cartazes, selos postais e ilustrações para capas e interiores de livros de poesia.

Integrante em enciclopédias, livros e catálogos d´arte (13).

Integrante em mais de 50 Antologias de Poesia, em diversos países.

Publicou a solo o livro de poesia “POALHA DE MUSSAM´BIKI “, com 37 poemas, em Lisboa ( 2014 ).

Tem neste instante no prelo o seu novo livro de poesia “CÂNTICO GRITADO “, com 160

Poemas.

Obras pictóricas disseminadas pelos 5 continentes, em coleções particulares, galerias

d´arte, museus e coleções estatais.

Sistematicamente convidado a expor no Luxemboug Art Prize, desde 2017, no Dak´Art,

Dakar, Senegal, Bardonia Art Prize, Nova York, Estados Unidos da América, Câmara

Municipal de Luanda, Angola, etc.

Exposições de poesia, em público, em Portugal, Moçambique, Bélgica, Brasil, Uruguai,

Paraguai, Chile e Argentina.

Diversas premiações em pintura e poesia: “Pincel d´Ouro “, LITERARTE / Rio de Janeiro,

Brasil, 2 Medalhas de Ouro da ABD – Academia Brasileira de Desenho, Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil, 1º Lugar em Poesia Internacional Prémio ALPAS 21, Cruz Alta, RS, Brasil, Prémio “Orgulho Académico “, Troféu e Diploma, NALAP, Porto, Portugal, etc., etc.

Académico de Honra e Académico – Correspondente de várias Academias de Arte, Ciência e Cultura, de Portugal, Itália, Brasil, Chile, Argentina e Austrália.

A sua pintura, desenho e poesia, versam interpretativamente as ambiências que “sui-generis “, despertam para o desenvolvimento temático, através do ego artístico-plástico do autor, preliminarmente com um desenho rigoroso e logo a seguir a sobreposição de cores estridentes e contrastantes, permanentemente, porque “A Cor tem que ter Cor! “

Faleceu no dia 19 de Abril de 2025 e foi sepultado no Cemitério de Penafirme, Torres Vedras.

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